Nós e os gatos
Ivan Lessa - Colunista da BBC Brasil
Eu tenho uma gata chamada Smudge. Ou melhor, uma gata chamada Smudge me tem. Nós somos dos gatos e não eles de nós. Decretaram sua independência há séculos bem diante de nossas papalvas margens plácidas.
A rigor, nem mesmo posso mentir dizendo que Smudge é minha. Era de minha filha. Que casou-se e mudou-se. As filhas passam, as gatas ficam. Smudge já está meio velhinha. Como foi achada na rua, sempre calculamos por baixo, lá pela alturinha dela. Não pode ter menos de 14 anos. Talvez regulem seus anos felinos com meus anos gentáqueos.
Chama-se Smudge, que quer dizer mancha, porque feito a Teresa da Praia, do Tom, decantada por Dick Farney e Lúcio Alves, tem uma pinta do lado do bigode. Bigode Teresa da Praia, juro, não tinha. A minha tem e lhe dá muita graça. Eu também tenho e ainda por cim barba, mas a cara de bobo mesmo, não há jeito.
Ficamos em casa, Smudge e eu. Ela dormindo, eu mexendo em minhas besteiras: PC, DVD, CD, TV, livro. Talvez eu estivesse mais satisfeito, e até ronronando feito ela, se dormisse o tempo todo. O tempo inteiro. De hoje em diante. Sem parar mais. Sonhar, talvez, como dizem os dinamarqueses melancólicos, segundo os bardos imortais ingleses.
De qualquer forma registrei a existência de Smudge diante de meus 8 leitores e apresentei-a a eles. Prazer, devem ter dito, se forem educados. Ela? Caladona, encerrada em seus mistérios.
Eu gostaria, no entanto, de falar sobre outros gatos mais interessantes que a pobre da Smudge, que é obrigada a me aguentar. Para tal fim, e com o pernosticismo pelo qual sou conhecido, cito o filósofo renascentista francês Michel de Montaigne, que, em meados do século 16, já observara, em meio a outras coisas menos importantes, que, quando ele brincava com sua gata, não conseguia dizer quem estava se divertindo mais, se ele ou ela.
Não tinha muitas luzes nosso bom Montaigne. Pode ter inventado o essai, ou seja, o ensaio, mas no tocante a gatos não percebeu o óbvio ululante digno de um Nelson Rodrigues: gato não acha a menor graça em gente. Nós só aporrinhamos os gatos. Se nos fingem dar atenção, ou conosco se divertir, enganando que brincam com aquela bolinha, é apenas para garantir a próxima refeição, que quanto mais cedo vier melhor.
Deixo Montaigne e vou para o que deve ter sido o agradável prazer de observar, meio de longe, como quem não quer nada, o gato Casper, até há pouco residente em Plymouth, no extremo sudoeste da Inglaterra. Até há pouco. Pranteio Casper com a maior sinceridade. Casper não está mais entre nós. Bichano coerente e digno nunca deve ter dado a menor pelota para as supostas diversões para ele inventadas.
Casper, como todo gato (o burrego do Montaigne não percebeu), era independente e livre como aquele proverbial táxi do Millôr Fernandes. Casper morreu atropelado por um canalha ou uma doidivanas qualquer, tanto um como outro entretidos, na certa, em tagarelar inanidades num celular enquanto dirigiam. Que grande gato, perdeu a Inglaterra e o Mundo! Casper gostava de uma coisa nessa vida: andar de ônibus. Especificamente, o ônibus da linha 3 de Plymouth, que o levava do campo,onde morava, até o centro da cidade. Lá zanzava por um par de horas e depois pacientemente entrava na fila para a viagem de volta a seu canto, longe das luzes enganosas da cidade, que são a vida a mentir. As expedições, semanais, duraram quatro anos. Motorista e outros passageiros, já familiares com Casper, ajudavam-no a subir e a descer do ônibus. Era uma viagem de 17 km.
Viagem que perdia longe para a de Kofi, que sumiu de sua casa, em Nottingham, e foi aparecer três anos e meio depois em Ipswich, no condado de Suffolk. Voltou com a mesma cara, não fez festa em ninguém, pouco se importou com as que lhe fizeram. Apenas esperou que lhe servissem uma comidinha qualquer. There was a cat! Como diria Shakespeare.
Ganhando, em matéria de andanças, dos outros dois, só mesmo Sandi, que, num dia possivelmente para ele mais aborrecido que os outros, entrou num ferry em Portsmouth, em Hampshire, e acabou em Bilbao, na Espanha. Onde, até onde consegui descobrir, fixou residência como tantos outros cidadãos britânicos que, de uns anos para cá, deram para abandonar este Reino Unido cada vez mais multiglobalizado e beirando o chatão.
Em casa, curtindo meu enfisema, paro meus habituais cinco ou dez minutos só espiando, meio na moita, Smudge, dormindo seu sono de gato, sonhando seu sonho de gato, vivendo sua vida de gata. Que ela dure e fique por aqui mesmo o mais tempo que for possível, peço silente como o gato que eu deveria ter sido.
Que o Rei dos Gatos, com seus longos bigodes, seus olhos sonolentos e nariz cor-de-rosa, enrolado em sua almofada azul, zele e vele por nós, pobres humanos.
Texto do Ivan Lessa, na BBC
Cinderela larga príncipe e Branca de Neve toma Prozac em livro
Um livro no qual Cinderela se rebela, vira vegetariana, sai do baile só de madrugada e larga o príncipe encantado, e em que sua amiga Branca de Neve usa Prozac para combater a depressão, se tornou um dos maiores sucessos de venda das últimas semanas na Espanha.
A obra La Cenicienta que no Queria Comer Perdices (A Cinderela que não queria comer perdizes, em uma alusão ao tradicional final de contos em espanhol, que acabam com a frase “foram felizes e comeram perdizes) vendeu mais de 50 mil exemplares no país nas seis primeiras semanas após seu lançamento.
A história foi criada quase que por brincadeira pela escritora Nunila López Salamero e pela desenhista Myriam Cameros Sierra.
Elas contam que ofereceram o livro a várias editoras espanholas e não receberam nem um e-mail como resposta.
Com a ajuda de amigas e de associações de combate à violência contra a mulher, López e Cameros juntaram dinheiro em coletas para a primeira publicação e o sucesso foi imediato.
Receberam apoio de intelectuais espanhóis e chamaram a atenção de uma das maiores editoras da Espanha, a Planeta, que publicou o texto.
Outras princesas
A Cinderela espanhola do século 21 percebe que era uma mulher maltratada pela madrasta e suas irmãs, abandonada pelo pai, forçada a estar magra para caber em roupas de tamanho 38 e que o príncipe, depois que se tornou seu marido, era um mandão e eterno insatisfeito.
No livro, a renovada Gata Borralheira ainda se reencontra com suas amigas princesas que também estão em nova fase e com outros personagens de contos clássicos que decidem mudar de vida.
A Bela Adormecida explica como acordou sozinha, Branca de Neve sai da depressão, deixa o Prozac (remédio ansiolítico) e resolve se bronzear até ficar morena.
– O livro é dedicado a todas as mulheres valentes que querem mudar de vida –, explicam as autoras.
Ele deverá ser lançado no Brasil em 2010, mas ainda sem previsão de data, nem título definitivo.
BBC Brasil

Pra quem conhece Madame Abigail, com suas madeixas alvas, seu olhar azul/verde e seu charme, não imagina o quanto ela tem se tornado requintada...
Exigentíssima no comer e no bem dormir, ultimamente passou a demandar cuidados mais elaborados, como as quase cem escovadas ou a maneira exata de acaricia-la...
Minha grande preocupação agora é encontrar uma boa casa para me mudar com minha amada Abigail, onde ela possa se sentir em casa, rs

Na Cia. dos Homens & Cooperativa Paulista de Teatro apresentam “O MONTACARGAS”
Após cumprir temporada de julho a outubro de 2009 o espetáculo O MONTACARGAS, de Harold Pinter, reestréia em 16 de janeiro de 2010. A nova temporada seguirá até o dia 28 de fevereiro, aos sábados e domingos, sempre às 19 horas, no Espaço dos Satyros II.
O MONTACARGAS faz mais uma temporada no Espaço dos Satyros Dois. O texto - terceira obra escrita para o teatro por Harold Pinter (dramaturgo premiado com o Nobel de Literatura em 2005) – apresenta-nos dois homens que se encontram num porão à espera de uma terceira pessoa, enquanto conversam sobre futebol e comentam as notícias dos jornais. Aos poucos, sob a aparente banalidade dos diálogos, vai se revelando ao espectador um vasto conteúdo inconsciente, a partir das sutis indicações dos motivos que os levaram ao porão e a tarefa que ali irão realizar.
A encenação, fruto da pesquisa realizada desde o inicio de 2008 pelo grupo Na Cia. dos Homens, cuja principal referencia é a obra do cineasta francês Robert Bresson, constrói-se a partir de um acurado cuidado com a palavra, aliado ao minimalismo e à economia de meios, que permeiam os elementos que compõem a cena (cenários, figurinos, iluminação...) bem como o trabalho do ator que, utilizando-se do silencio e da imobilidade, busca conferir aos seus personagens uma dimensão arquetípica e simbólica.
Bráulio Ferraz: Ator. Formado pelo Teatro-Escola Macunaíma. Estudou, também, no Royal Welsh College of Music and Drama - Cardiff, Reino Unido e no Mark Keppel High School - Monterey Park-California-USA. Atuou nos espetáculos: Os Possessos, direção de Antonio Abujanra; Insones 3x4, direção de Ed Anderson Mascarenhas; Happy End e Surabaya, Johnny, direção Marco Antonio Rodrigues; Ópera dos 500, direção de Naum Alves de Souza; dentre outros.
César Maier: Ator, diretor e dramaturgista. Iniciou seus estudos em teatro em 1988 no curso Interpretação a Partir do Trabalho com Máscaras e Maquiagem, com os atores George Bigot e Maurice Durozier do Theatre du Soleil. Fez cursos com Rubens Correia, Aderbal Freire Filho e Antunes Filho, dentre outros. Atuou nos espetáculos: O Defunto, de Renê de Obaldia; Conversação Sinfonieta, de Jean Tardieu; O Claro Abelardo, de Antonin Artaud (este também sob sua direção); dentre outros. Saiba mais: www.cesarmaier.blogspot.com.
O Montacargas, de Harold Pinter – tradução de Bráulio Ferraz - direção de César Maier
Com Bráulio Ferraz e César Maier / Iluminador: Eduardo Córdobhess / Operação de luz: Paulo Maia / Operação de Som: Marcos Medeiros.
Espaço dos Satyros Dois – Praça Roosevelt, 134 – Tel.: 11 3258 6345
Temporada: 16 de janeiro a 28 de fevereiro - Sábados e domingos, às 19 Horas
Ingressos: R$ 20,00 (Inteira), R$ 10,00 (Estudantes, Classe Artística e Terceira Idade); R$ 5,00 (Oficineiros dos Satyros e moradores da Praça Roosevelt)
Duração: 50 min. / Classificação: 16 anos / Lugares: 70 / Acesso universal. / Não possui estacionamento. Ass. Imprensa: O AUTOR NA PRAÇA
Apoio: O Autor na Praça, Seicho-No-Ie do Brasil, Grupo de Teatro Os Satyros, Espaço Cultural Oficina, Ponto e Vírgula – Ass. Imprensa, Nonsense-Camisetas Inteligentes, Nutrisom - Restaurante, Vegetariano, Cantina Luna de Capri, Planeta's e Cantina e Pizzaria Piolin.
A vida anda muito tranquila, serena...
Não que isso seja ruim - pelo contrário, é legal, um monte - mas não confio muito na durabilidade destes períodos.
Ta tudo bonito, lindo, mas eu prefiro não me iludir, rs.
Não que isso seja ruim - pelo contrário, é legal, um monte - mas não confio muito na durabilidade destes períodos.
Ta tudo bonito, lindo, mas eu prefiro não me iludir, rs.
O acarajé é uma iguaria da culinária baiana e tem sua origem nos barracões de candomblé. O bolinho de feijão-fradinho, frito no azeite de dendê, é uma oferenda à Orixá Iansã. Em Salvador-BA é facilmente encontrado nas ruas, vendido em tabuleiros pelas tradicionais baianas, com suas roupas brancas, torço (turbante) na cabeça e suas Guias (colares) no pescoço. Essa tradição perdura desde o século XIX. O acarajé começou a ser vendido nas ruas de Salvador pelas escravas, e hoje se tornou o prato mais conhecido e característico da Bahia, e o ofício das baianas do acarajé foi tombado pelo IPHAN, desde 2004, como patrimônio imaterial do Brasil.
Na África, ele chama-se akara, e quando as escravas desfilavam pelas ruas, com os tabuleiros na cabeça, anunciavam akará ajeum. Ajeum significa, em Ioruba, comer. Nós no Brasil juntamos as duas palavras e nasceu o termo acarajé. Bom o fato é que mesmo com tanta tradição cultural e religiosa envolvida, anda acontecendo algo no mínimo absurdo. Evangélicos produzindo e comercializando o acarajé e chamando-o de Bolinho de Jesus. Começou quando algumas adeptas do Candomblé se tornaram protestantes, e hoje vários evangélicos se utilizam deste procedimento para ter garantida sua fonte de renda.
Estes, naturalmente, não usam as roupas brancas, nem o torço e nem as guias. Nem mesmo usam os tabuleiros para acomodar os acarajés, fazem de tudo para desassociar o quitute do Candomblé. Ignoram, no sentido de não se importarem, as origens, a história, a tradição e a cultura que envolve o que antes de tudo é uma oferenda, e querem vendê-lo apenas como um alimento qualquer. É que vende bem, muito bem. Então se apropriam indevidamente de uma das mais enraizadas e conhecidas tradições da Bahia e do Brasil, pois quem nunca ouviu falar no famoso acarajé da Bahia?
Fiquei pensando muito nisso, e acabei associando a outro fato semelhante. Todos sabem que sal grosso, arruda, fitinha vermelha, e por ai a fora, são elementos tradicionais dos cultos afro-brasileiros, principalmente da Umbanda, que se popularizaram e foram incorporados na cultura brasileira, assim como o famoso vaso de 7 ervas, ferradura, figa e muitos outros. Pois bem, não é difícil ligarmos a televisão e vermos um pastor evangélico, de roupa branca (tai outra coisa), utilizando alguns destes elementos em seu culto, e ainda denominando isso de “descarrego” (tai mais outra coisa).
É inegável a contribuição do Povo Negro e do Povo de Santo para a construção da identidade cultural do Brasil, mas àqueles que não encaram desta forma devem ao menos não tentar roubar, adaptando de forma grosseira, nossas coisas para as suas coisas.
O acarajé, alem do feijão e do dendê, tem muito sangue e suor dos escravos. Tem muita reza e axé dos barracões de Candomblé. Tem dança e tem ritmo. Tem sonhos de liberdade e sorrisos de esperança.
O acarajé é de Iansã.
O autor, Ricardo Barreira, é presidente do Instituto Sócio Cultural Umbanda Fest - Contatos: www.ricardobarreira.com

Ecos do lançamento da Frente Blogueira pela Cidadania LGBT
Parou Tudo - O Portal GLS de Brasília
"Nasce Frente Blogueira pela Cidadania LGBT"
Blog do filósofo Paulo Braccini
"Frente Blogueira pela Cidadania LGBT"
Mix Brasil - UOL
"Brasil ganha Frente Blogueira pelos Direitos LGBT"
Blog do Bhy
"Frente Blogayra"
Blog do Alexandre Gaspar
Blog do Oséias Miranda
entre outros...
=)
Frente Blogueira em Maringá
"A Primeira Frente Blogueira LGBT do Brasil - Participe!"
Car@s,
Esta no ar o site da Frente Blogueira pela Cidadania LGBT, uma iniciativa para unir forças "blogo-simpáticas" em prol do combate a discriminação.
Para participar é simples, acesse o site http://www.frentelgbt.com.br/ , clique no item "Participar", preencha o formulário com seu nome, e-mail e com o endereço do seu blog/site, e cole em sua página o código da logo da Frente, simples assim.
Além de demonstrar sua solidariedade com a causa LGBT, você terá o endereço do seu blog/site divulgado na rede pela Frente.
Grande abraço
Luiz Modesto
Pres. AMLGBT
www.luizmodesto.com.br
www.maringay.com.br
www.frentelgbt.com.br
www.amlgbt.com.br
Colabore com a divulgação deste projeto, encaminhe este e-mail para seus amigos!
=)
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in: HOMOMENTO - ÓTIMO!!!
Caio, o amigo gay da Tina16 16UTC Novembro 16UTC 2009
No começo desse ano o criador da Turma da Mônica, Mauricio de Sousa, deu uma interessante entrevista para a Veja. Nela, o quadrinista fala sobre a abordagem de temas mais sérios – como o divórcio, por exemplo – nos seus gibis, seja nos clássicos da Mônica e companhia ou no recente Turma da Mônica Jovem. Quem lê o Homomento já viu meus elogios à Adriana Calcanhotto por tratar crianças com naturalidade e meu recente apelo para uma educação sexual problematizadora: fica até redundante dizer o quanto simpatizei com o seguinte trecho da entrevista.
Acontece que nas casas de hoje se pode conversar sobre tudo: sexo, drogas, violência. Se o pai não puxa esses assuntos, o filho de 5 anos faz isso por ele. É preciso parar de tratar as crianças como seres inferiores, sem senso crítico, sem experiência de vida. Tudo pode virar tema. Não é preciso censurar, apenas deve-se tomar cuidado para usar uma linguagem correta.
O discurso é bonito, mas não paremos por aqui. No restante da entrevista, Mauricio conta como os pais da personagem Xaveco se divorciaram e a situação foi sutilmente introduzida nas histórias, não havendo nenhum caso de reclamação por parte dos pais. Elogios à parte, é necessário lembrar que estamos bastante aquém do tempo em que divórcio era causa para polêmica: não deixa de ser até bastante atrasada essa abordagem do autor. O modus operandi dele fica bem claro em outro momento da entrevista – justamente no que tange à homossexualidade.
Tem gente pedindo para eu criar um personagem gay. Esse tema ainda é muito novo. Mas eu sei que, no futuro, se essa tendência continuar, será natural ter um homossexual na Turma. No meu estúdio, digo que não devemos levantar uma bandeira e ir à frente de uma passeata. Devemos segurar a bandeira quando ela já está passando. Precisamos falar a língua do dia e da hora, mas tomando certos cuidados. Foi com essa fórmula que construí minha carreira.
Mais recentemente, em sua participação no Roda Viva, reiterou, como nos conta o ACapa: “[Personagem gay, só] quando a sociedade estiver, toda ela, aceitando e preparada para isso”.
Poderíamos fazer uma pausa para questionar um pouco as colocações (quando, afinal, a sociedade vai estar TODA pronta e preparada para isso?), mas não é para lembrar dessas declarações que estou escrevendo a postagem. É para falar do novo personagem do gibi da Tina: o Caio.
A primeira aparição do Caio foi no número 6 da revista da Tina, pela editora Panini, lançada em novembro de 2009. O blog Cultureba alerta na manchete – “Caio, o primeiro personagem gay de Mauricio de Sousa”. Sem acesso ao gibi, fui procurar, muito curioso, mais referências à tal história. O Cada um no seu quadrinho já lança um balde d’água, explicando que fica tudo meio implícito.
Pelo que entendi, a história é mais ou menos assim: a Tina marca um encontro com um amigo misterioso e o namorado dela fica morrendo de ciúmes no decorrer da história. No final, ela apresenta o Caio pro namorado e dá um discurso sobre como é comum homens e mulheres terem amizades sem segundas intenções. O tal Caio ainda arremata, dizendo que é comprometido e dando a entender que é com um rapaz que está presente. Confiram o tal quadrinho, escaneado pelo Cena G.
Como nos conta a Folha, “o assessor afirma que a história não pretendeu ser categórica no lançamento de um personagem gay. Ele levanta até a possibilidade de que ele seja bissexual, no entanto. Ele também assegura que a história e o personagem terá a devida continuidade e encaminhamento”.
Não sei até que ponto a personagem não foi criada pra agradar quem estava pressionando ou até que ponto ela está lá por tratar-se de uma revista de aparente menor visibilidade, mas devo admitir que fiquei positivamente surpreso. Até onde eu sei a questão homossexual está pegando fogo atualmente, então não deixa de ser uma afronta ao próprio método pouco corajoso do Mauricio de falar dos assuntos só depois da discussão em torno deles se abrandar.
Eu poderia até reclamar aqui do quão mal esclarecida está a situação de homossexualidade ali (as velhas migalhas que nos dão nas hqs para ficarmos quietinhos), mas prefiro esperar para ver o direcionamento da história do Caio, por se tratar do gênero infantil, que tem um monte de particularidades. Um pouco de otimismo não faz mal a ninguém, não é? Ou vocês acham que estou encarando com bom humor demais?

Moro em uma edicula, fundo de dois sobrados, tudo em uma data só, e depois de dois anos e meio de residência, a dona resolveu pedir o divorcio do marido e, lógico, pegar a parte que lhe cabe na história. Como a edícula cruza as “meia-datas” dos sobrados, a imobiliária (amo!?) pediu delicadamente que eu entregasse o imóvel para que pudessem regularizar o terreno, e só então percebi que já era hora...
Novos ares me esperam na zona 5...
Bye UEM...
Recebi este fim de semana um ofício do Conselho Tutelar de Maringá solicitando esclarecimentos sobre este meu post.
O fato é que, com a publicação deste acontecido (tomando todo o cuidado para não desmerecer os conselheiros tutelares - os quais realizam suas funções de forma responsável e louvável), duas coisas positivas aconteceram: 1º - a preocupação do Conselho com a sua reputação provavelmente ecoará no desligamento deste rapaz que, vim saber depois, é um "comissário" do Conselho, e não um conselheiro; e 2º - tomei conhecimento da rotina destes homens e mulheres que trabalham pela infância e adolescência da cidade de Maringá, o que me fez pensar o quanto de chateação a atitude de um individuo não muito bem intencionado pode causar a estas pessoas que trabalham por uma causa justa e de uma forma séria.
Reitero minha admiração a instituição e destaco o trabalho realizado pelo Conselho Tutelar de Maringá como um complemento necessário na construção de uma sociedade mais justa e saudável.
O fato é que, com a publicação deste acontecido (tomando todo o cuidado para não desmerecer os conselheiros tutelares - os quais realizam suas funções de forma responsável e louvável), duas coisas positivas aconteceram: 1º - a preocupação do Conselho com a sua reputação provavelmente ecoará no desligamento deste rapaz que, vim saber depois, é um "comissário" do Conselho, e não um conselheiro; e 2º - tomei conhecimento da rotina destes homens e mulheres que trabalham pela infância e adolescência da cidade de Maringá, o que me fez pensar o quanto de chateação a atitude de um individuo não muito bem intencionado pode causar a estas pessoas que trabalham por uma causa justa e de uma forma séria.
Reitero minha admiração a instituição e destaco o trabalho realizado pelo Conselho Tutelar de Maringá como um complemento necessário na construção de uma sociedade mais justa e saudável.
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